Indústria de SC não utiliza mais amianto desde 2015. Projeto aprovado proíbe também comercialização da substância
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Foto: Fabrizio Motta / Agencia RBS |
Foram oito anos de espera, entre debates e
estudos, até que o projeto de lei 179/2008 fosse aprovado pela Assembleia
Legislativa (Alesc). E o resultado veio nesta quarta-feira de forma unânime.
Deputados decidiram pela aprovação do projeto que prevê a proibição de toda a
cadeia produtiva de amianto no Estado, da fabricação
até a comercialização. Parado desde 2014, o projeto foi
aprovado após votações relâmpago nas comissões de Saúde e Finanças durante a
manhã, para passar no plenário à tarde.
Muito utilizado na construção civil a partir da década de 1970
no Brasil, o amianto é bastante comum em alguns tipos de telhas. Nas décadas
seguintes, diversos estudos mostraram a relação entre a substância e um tipo
específico de câncer: mesotelioma. Envolvido com processos trabalhista sobre
amianto em Santa Catarina desde 2010, o procurador do Trabalho Luciano Lima
Leivas comemora o resultado da votação na Alesc e lembra que o Estado já teve
dezenas de registros desse tipo de câncer:
— Pesquisas mostram que o mesotelioma é um tipo de câncer que
tem a digital do amianto, além de outros tipos de problemas pulmonares. Apenas
em Santa Catarina, são 30 mortes registradas de pessoas entre 1997 e 2013
vítimas dessa doença. Por tudo isso, o resultado da votação de hoje é uma
vitória para todos nós.
Com a nova lei, Santa Catarina se torna no oitavo Estado
brasileiro a proibir o amianto. No ano passado, a última empresa catarinense
que ainda utilizava a substância, Imbralit, encerrou a prática após um termo de
ajuste de conduta com o Ministério Público do Trabalho. No entanto,
distribuidoras continuavam comercializando telhas com amianto.
— A decisão beneficia inclusive a indústria catarinense, pois as
fábricas do Estado sofriam uma competição desleal com outras que ainda usam
amianto em seus produtos. Essa proibição alcança toda a cadeia produtiva do
amianto. Na semana passada, mediamos um acordo onde a Defesa Civil comprou 4
mil telhas de fibrocimento sem amianto de fábricas catarinenses para doar a
municípios que forem atingidos por tempestades e outros eventos climáticos —
afirma o procurador Luciano Lima Leivas.
Autora do projeto junto com o ex-deputado Jaílson Lima (PT), a
deputada Ana Paula Lima (PT) utilizou um parecer do ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que reconhece a constitucionalidade de
leis estaduais sobre o tema.
São Paulo já havia aprovado uma lei semelhante e ela foi contestada no STF. O ministro Fachin deu voto favorável à decisão de São Paulo e utilizei esse voto para reforçar os argumentos do nosso projeto de lei. Foi uma vitória e a partir de agora quem comercializar ou produzir utilizando amianto será punido — diz a deputada Ana Paula Lima.
São Paulo já havia aprovado uma lei semelhante e ela foi contestada no STF. O ministro Fachin deu voto favorável à decisão de São Paulo e utilizei esse voto para reforçar os argumentos do nosso projeto de lei. Foi uma vitória e a partir de agora quem comercializar ou produzir utilizando amianto será punido — diz a deputada Ana Paula Lima.