Quem sou eu

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- Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social é que determina a sua consciência.” *Kal Marx “os comunistas nunca devem perder de vista a unidade da organização sindical. (Isto porque) a única fonte de força dos escravos assalariados de nossa civilização, oprimidos, subjugados e abatidos pelo trabalho, é a sua união, sua organização e solidariedade” *Lenin
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
domingo, 18 de dezembro de 2011
O QUE SIGNIFICA SER DIRIGENTE
O PAPEL DO DIRIGENTE SINDICA
O QUE SIGNIFICA SER DIRIGENTE?
O
PAPEL DO DIRIGENTE SINDICAL
1. O QUE SIGNIFICA SER DIRIGENTE
- Serem
escolhidos por sua organização
- Serem
representativos, ou seja, que saibam interpretar os membros do grupo
- Ter
vocação para estar à serviço da organização, ou seja, que o dirigente
esteja à serviço do grupo e não o grupo à seu serviço
- Ser
democrático no exercício de seu cargo, não impor seus pontos de vista e
não deixar de cumprir as decisões tomadas pela organização.
- Promover
o saber, o interesse por conhecer
- Enfrentar
educativamente os conflitos do grupo
- Demonstrar
uma atitude aberta e crítica.
- Foram
cumpridos os objetivos propostos?
- Como
se organizou o grupo para realizar a atividade?
- Quais
foram os custos?
- Pode-se
fazer uma avaliação grupal, em que se respondam perguntas em pequenos
grupos,
- Outra
modalidade consiste em se fazer entrevistas individuais ou em pequenos
grupos; isto ajuda a resgatar a opinião dos participantes com mais
profundidade.

Nos grupos (equipe
esportiva, um sindicato, comissão de moradores, comunidade de base)
é necessário diferenciar tarefas e responsabilidades para evitar que todos
façam as mesmas coisas. Assim, os grupos podem ser mais eficientes no seu
funcionamento e utilizar melhor as diferentes capacidades pessoais. Uma
dessas tarefas é a de ser dirigente.
Ser
dirigente significa orientar, dirigir uma organização. O dirigente deve
conduzir as atitudes da sua organização, ordenar e organizar o seu
funcionamento e representar o grupo diante de outros (por exemplo autoridades
ou outras organizações).
Como
se pode ver, o dirigente tem mais responsabilidades na organização do que o
restante de seus membros.
A
pessoas que é eleita para dirigir o grupo, geralmente possui um conjunto
de qualidades e capacidades que a torna apta a ser um bom dirigente.
Igualmente, essa pessoa precisa ter desejo e vontade de desempenhar um papel de
maior responsabilidade, o qual por vezes; requer sacrifícios.
Portanto,
ser dirigente não é tarefa fácil. Ao se colocar à frente do
grupo, se está mais exposto à crítica e se corre riscos de diversos
tipos. Por outro lado, se tem importantes gratificações, como a de se sentir
que se está dando o melhor de si, a serviço do grupo e do movimento
popular.
2. O QUE É NECESSÁRIO PARA SER DIRIGENTE
Acreditamos
ser importante que os dirigentes tenham certas condições que os tornem mais
aptos a exercer o seu trabalho. Entre essas condições, destacamos as seguintes:
Muitas
vezes se confunde ser dirigente com ser líder. Pra ser dirigente não tem
necessariamente que ser líder. A liderança está ligada a uma qualidade
pessoal; relativamente excepcional: o carisma, a capacidade de ser
especialmente atraente e influente sobre as pessoas. Os líderes não pertencem
necessariamente às organizações e frequentemente, surgem de maneira espontânea
durante certas situações (por exemplo, quando há uma emergência e ninguém sabe o
que fazer, ou em festas, etc)
3. QUATRO CONTRIBUIÇÕES IMPORTANTES DOS DIRIGENTES
Além
da contribuição que dão no dia-a-dia das suas organizações, os dirigentes
cumprem um papel fundamental para o movimento popular em seu conjunto. Talvez
as contribuições mais importantes por eles desenvolvidas são as de promover a
participação, organizar, mobilizar e educar.
a) O dirigente e a
participação
As
organizações populares são muito importantes para enfrentar os múltiplos
problemas dos trabalhadores. Nelas, se luta pelos direitos, se realizam
atividades solidárias e de substância.
O
dirigente deve facilitar a democracia e a participação no grupo. Nisto tem um
importante papel a cumprir. Algumas das habilidades que podem ajudá-lo a
promover a participação são: facilitar a comunicação entre seus integrantes e
tomar decisões coletivamente.
b) O dirigente como
organizador
A
única forma pela qual os setores populares podem melhorar suas condições de
vida é organizando-se. Pouco podem esperar os trabalhadores que não provenha de
si mesmos e de sua ação. A organização permite unir as capacidades e vontades
de diferentes pessoas que tem interesses comuns. Para que existam organizações,
a contribuição do dirigente é vital.
Às
vezes a contribuição dos dirigentes consiste em criar organizações. Tratam-se
de bons “construtores” de grupos, que sabem detectar o que interessa as pessoas
de certo setor e buscam formas eficientes para organizar-se. Assim, os
dirigentes contribuem para o fortalecimento dos setores populares.
Outras
vezes, conseguindo fazê-las funcionar melhor, incorporam mais gente e fazem com
que seus membros se desenvolvam através das atividades que realizam. Tratam-se
de bons “organizadores” que sabem enfrentar adequadamente os conflitos, que
ajudam a conseguir a unidade entre os membros do grupo, que criam uma mística
em torno das ações conjuntas e que tornam eficiente a prática da organização.
c) O Dirigente Como
Mobilizador
Os
dirigentes contribuem também na mobilização, ajudando a buscar caminhos para
solucionar problemas diversos, tais como, saúde, alimentação, trabalho,
justiça, que afetam os setores populares. É impossível pensar que esses
problemas sejam resolvidos sem mobilização, ou seja, sem que as organizações e
o povo lutem e reclamem por seus direitos.
Muitos
dirigentes são bons mobilizadores porque sabem estimular a participação das
pessoas. Isto se deve ao fato de terem sensibilidade para captar a disposição
de atuar das pessoas e o conhecimento dos seus problemas. Trata-se de
dirigentes que inspiram confiança e credibilidade na medida em que as pessoas
sabem que não estão sendo manipuladas ou enganadas e que as ações que realizam
conduzem a soluções, ainda que parciais, de seus problemas.
Os
dirigentes também devem saber negociar. Muitas vezes as mobilizações populares
terminam em uma negociação com as autoridades pertinentes. Nestas situações, um
dirigente deve saber resguardar sempre os interesses de seu representantes, de
modo que a mobilização signifique um avanço para a organização e não um
retrocesso.
d) Os dirigentes como
educadores
É
necessário que os dirigentes tenham também uma atitude educadora. Educar, em um
sentido amplo, significa transformar, mudar a realidade. Quando uma pessoa tem
acesso à educação, ela cresce, conhece novas coisas e olha a realidade de uma
maneira mais crítica. Por isso, é necessário que os dirigentes promovam
atividades educativas.
O
dirigente não educa somente quando promove a capacitação de sua organização em
um determinado tema, mas também o faz com seu exemplo. Com efeito, o
testemunho de vida de alguns dirigentes educou e formou muitas pessoas.
De
igual maneira, um dirigente educa quando cria opiniões em torno de diferentes
aspectos da realidade local e nacional, porque ajuda as pessoas a terem uma
atitude crítica.
Em
resumo, a contribuição dos dirigentes aponta na direção de promover a
organização e a participação dos setores populares, e sobretudo, a incentivar
sua mobilização na busca de solução para seus problemas básicos. Junto com
isso, o dirigente pode contribuir promovendo a educação popular, para ter um
conhecimento mais crítico e ter mais elementos para transformar a realidade.
Apesar
de cada dirigente dar sua contribuição em um nível local, regional ou nacional,
a contribuição de todos é importante no avanço da construção de uma sociedade
mais justa e democrática.
4. CAPACIDADES QUE DEVE TER UM DIRIGENTE.
Talvez
a função mais importante dos dirigentes seja a de recolher os interesses,
anseios e esperanças de seu povo e transformá-los em organização e mobilização
capazes de responder a essas inquietudes. Um dirigente não somente tem que ter
a sensibilidade para saber o que o povo quer e necessita, mas também, deve ser capaz
de ativar e empolgar os trabalhadores e perceber até onde estão dispostos a
atuar.
Queremos
assinalar aqui algumas capacidades que o dirigente deve possuir para contribuir
positivamente na ação organizativa:
a)
Ter a confiança de seus representados
Não
basta que um dirigente tenha consciência das injustiças que sofrem os
trabalhadores e da necessidade de mudar esta situação. Tampouco
é suficiente que os dirigentes sejam decididos e valentes. Para mobilizar
o sindicato de qualquer organização é muito importante que os dirigentes
estejam muito próximos de suas bases, que sejam legítimos e confiáveis, sendo
para isso fundamental a honestidade e o compromisso comas pessoas que
representam.
b)
Ter informação sobre a realidade
Junto
com essa capacidade de interpretar o povo, o dirigente deveria ter um grande
conhecimento sobre a realidade em que está inserido. Não é suficiente saber que
existem problemas de suma gravidade como o desemprego, a fome ou a falta de
moradia. É necessário que domine informação precisa sobre estes problemas,
tanto a nível de seu local de trabalho, da comunidade, como do conjunto do
país.
Dominar
informações supõe, ao menos, dois trabalhos bastante complexos: saber onde
buscá-la e como obtê-la; e ser capaz de interpretar tal informação de modo
crítico. Este conhecimento mais exato da realidade é muito importante para
poder levar suas reinvidicações de maneira mais fundamentada.
Complementando,
é necessário que os dirigentes tenham conhecimento do tipo jurídico (leis)
que possam ajudar-lhes a levar suas reinvidicações com maior embasamento e
possibilidades de obter respostas adequadas.
c)
Ter clareza com relação aos objetivos
A
ação sindical deve perseguir objetivos determinados. Qualquer ação que se
programe deve ter alguma saída que permita o crescimento e aprendizagem do
grupo e não a sua desarticulação, como acontece em muitos casos. Por isso, é
conveniente não propor-se apenas um objetivo. Também é importante valorizar
outros tipos de resultados, como o fortalecimento da organização, o crescimento
das pessoas e a articulação a ser alcançada com outros grupos.
d)
Saber enfrentar as autoridades
No
caso da ação reinvidicatória é indispensável que o dirigente seja capaz de
atuar com autoridade: deve defender os interesses dos trabalhadores diante das
autoridades e negociar quando for necessário.
Negociar
significa chegar a algum acordo que seja favorável, neste caso, para os
trabalhadores. Uma negociação requer que os dirigentes tenham posição clara,
dominem diversas alternativas e disponham de informações precisas sobre a
questão em pauta.
Evidentemente , uma negociação implica em concessões de ambas
as partes. O importante é que um dirigente tenha bem claro em que aspectos não
pode ceder e que isso tenha sido previamente discutido e decidido com suas
bases. Na medida em que os trabalhadores estão mobilizados e dispostos a atuar,
a negociação será mais favorável para eles. Pode haver momentos que, em virtude
do baixo nível de mobilização e organização não seja conveniente negociar. Vale
lembrar que, historicamente os trabalhadores e o povo em geral, só seguiram
resultados mais vantajosos nas negociações, graças à sua capacidade de luta e
organização.
e)
Promover a articulação das organizações
populares
Um
dos aspectos fundamentais da ação do movimento popular é a articulação das
diversas organizações. Aqui, a contribuição dos dirigentes é fundamental.
Trata-se de encontrar os pontos de convergência, mesmo quando existem
diversidade de interesses, de estilos e de pensamentos. Trata-se de encontrar
os pontos de unidade de dêem mais força as reinvidicações, a organização e,
portanto, maior poder de pressão.
Em
resumo, uma função importante dos dirigentes é recolher os interesses e
esperanças do povo e transformá-los em mobilização e organização para obter
respostas as suas múltiplas necessidades. Para isto o dirigente deverá:
· Ter
a confiança de suas bases e está junto com elas
· Ter
informação precisa sobre os problemas dos trabalhadores
· Programas
ações com objetivos claros e possíveis de serem alcançados
· Ser
capaz de enfrentar as autoridades sabendo negociar com elas, mas defendendo os interesses dos trabalhadores
· Promover
a articulação das organizações populares buscando pontos comuns.
5. O DIRIGENTE E A FORMAÇÃO
Como
já se afirmou, para transformar a situação da opressão em que vivem os
setores populares, também é necessária a educação. Ter um melhor conhecimento
da realidade e refletir sobre nossas ações, nos dá melhores ferramentas para
compreender a realidade e sobre tudo para transformá-la.
Através
da formação, os membros de um grupo melhoram sua capacidade de expressão,
começam a ter uma posição frente à realidade, tornam-se mais desenvoltos e
participativos.
Por
isso, os dirigentes devem preocupar-se também em incentivar a educação dentro
da organização e criar condições para o crescimento e desenvolvimento pessoal
de seus membros.
Não
se trata somente de organizar atividades educativas, mas
também é importante uma atitude educativa por parte do dirigente. Uma
atitude que valorize os aspectos positivos de cada pessoa procurando fazê-la
avançar ainda mais, a partir de seus interesses e capacidades.
Outros elementos que caracterizam a
atitude de um educador são:
a)
Promover O Saber
Isto
significa desenvolver uma habilidade para socializar conhecimentos, para
investigar a realidade, para despertar o interesse e a curiosidade do
conhecimento, de tal modo, que o grupo vá crescendo e, ao mesmo tempo,
enriquecendo os objetivos que mantém viva a organização.
O
dirigente deve estar atento às necessidades de formação dos integrantes de sua
organização. Para isto devem planejar atividades educativas, tendo em vista os
objetivos que se quer alcançar com esta atividade, as pessoas que serão
convidadas a participar dela, os recursos humanos e materiais que serão necessários,
etc.
b)
Enfrentar educativamente os conflitos do
grupo
O
dirigente deve facilitar que os problemas se expressem abertamente e que o
grupo, como coletivo, encontre soluções. Nem sempre se conseguirá chegar a
visões totalmente comuns, mas é importante poder explicitar os pontos de
concordância e seguir avançando, assumindo que haverá de se conviver com
algumas diferenças.
O
dirigente, em todo caso, pode ajudar os membros do grupo a diferenciarem o que
é secundário do que é central num problema e concentrar esforços para
solucionar o mais importante.
c)
Demonstrar uma atitude aberta e crítica
O
dirigente deve estar disposto a entrar em uma relação democrática e de diálogo:
escuta e facilita a expressão. Escutar não é só permitir que os demais falem mais
é saber animar com palavras e gestos, é fazer perguntas, etc.
Ter
uma atitude aberta significa também, reconhecer que frente a um problema
determinado, há muitas respostas possíveis, muitos caminhos válidos e
muitos pontos de vista. Por isso, o dirigente deve apresentar diversas
alternativas e alimentar com informações, a mais completa possível, que permita
ao grupo e formando seu próprio ponto de vista.
Deste
modo, ser incentivará entre os membros do grupo, um espírito crítico e de
iniciativa.
Para
realizar uma atividade educativa nem sempre é necessária a presença de um
especialista. Também se pode recorrer a membros do grupo ou a pessoas do setor
que tenham experiências e conhecimentos sobre o tema.
Também
deve-se cuidar da utilização de técnicas e materiais educativos que tornem
possível a participação ativa do grupo.
Além disso, se pode
recorrer, em caso de necessidade, a pessoas e instituições locais que tenham
experiência neste tipo de atividade.
Em resumo, a educação serve
aos setores populares para ter uma maiôs conhecimento da realidade e poder
transformar a situação de opressão em que estes vivem.
Através da formação, os
membros de uma organização melhoram sua capacidade de expressão começam a ter
opiniões frente a realidade e se tornem mais participativos.
Por isto os dirigentes devem
preocupar-se em incentivar a educação na sua organização e, sobretudo, devem
ter uma atitude educativa que ajude a fazer crescer as pessoas.
Algumas atitudes educativas são:
6. PAPEL DO DIRIGENTE
O
dirigente pode, em grande medida, contribuir para que as organizações funcionem
eficientemente. De início deverão ter a capacidade para ir recolhendo os
anseios e habilidades dos membros da sua organização e transformá-los em ações
concretas e possíveis de serem realizadas. O dirigente terá que ir preparando
ações e formas de organizar-se que permitam à sua organização cumprir as metas
propostas anteriormente.
Há pelo
menos dois fatores de grande importância para a organização e eficiência de um
grupo: o planejamento das atividades e a avaliação do trabalho.
a) O planejamento das atividades
Planejar
é pensar agora o que se vai fazer depois. Isto significa, programar dentro
do tempo, as atividades de uma pessoa ou de um grupo, deixando claro o que se
vai fazer, por que se fará, em que momento e com que recursos.
Planejar
as atividades de uma organização tem várias vantagens. Uma delas, é que obriga
o grupo a pensar porque serão realizadas determinadas ações e como estas se
relacionam com seus objetivos. Isto ajuda a não cair no “ativismo” que é,
justamente, realizar uma atividade atrás da outra, sem nenhuma coerência entre
elas e sem saber em que direção estão apontando.
Outra
vantagem do planejamento é que ele permite prever os resultados que se
quer obter com uma atividade determinada, o que permite avaliar com maior
facilidade.
Também
ajuda a organização a realizar suas atividades de modo mais ordenado e a saber,
de antemão, que recursos se necessitará e onde se pode consegui-lo
O
planejamento permite prever alguns obstáculos, aqueles que aparecem na execução
de uma atividade, o que nos permite tomar medidas para retificá-la e melhorá-la.
Uma
boa maneira de planejar, no caso das organizações, consiste em elaborar planos
e programas de trabalho onde apareçam as diferentes atividades que se pretende
realizar durante um período de tempo.
Agora
vejamos, quem deve realizar esse planejamento?
Se
queremos que a organização seja participativa, todo o grupo deve ser chamado a
dar idéias e opiniões. Mas caberá ao dirigente, apresentar as proposições
a serem discutidas e colocar no papel o planejamento resultantes da diferentes
contribuições do grupo. Ainda assim, deverá ir introduzindo momentos de
avaliação durante a execução das atividades e após a sua realização.
Há certas
perguntas importantes de se fazer ao realizar um planejamento:
Qual é o problema?
Qualquer
atividade se realiza para enfrentar algum problema. Têm causas que lhes dão
origem. Antes de planejar uma atividade determinada será necessário
perguntar-se a que problema se pretende responder e refletir sobre suas causas.
Isto é o diagnóstico.
O que queremos alcançar?
Já
dissemos que as atividades buscam dar soluções a problemas. Mas seguramente não
poderão resolvê-los completamente; por isto é necessário que nas atividades se
tenha claro o que se pretendem alcançar, ou seja, seus objetivos.
O que devemos fazer para alcançar os
objetivos?
Para
se alcançar os objetivos, deve-se realizar atividades. Podem haver diversos
tipos de atividades para se alcançar um mesmo objetivo. O importante
é escolher aquelas que o grupo possa realmente assumir. Ou seja, que tenha
capacidade, recursos e entusiasmo para levá-las até o fim.
Como vamos realizar as atividades?
Uma
vez definidas as atividades, haverá que distinguir quais são as tarefas
que se deve realizar. Para cada tarefa, o grupo deverá definir pessoas e
comissões encarregadas de cumpri-la. A distribuição das tarefas é um aspectos
importante da ação do dirigente e que ele precisa saber fazer. Impor quem deve
realizar as tarefas não se sentem comprometidas a realizá-las. O mais adequado
é que as tarefas sejam assumidas voluntariamente pelos membros do grupo de
acordo com seu interesse, ou quem o dirigente sugira responsáveis pelas tarefas
de acordo com suas habilidades.
Ao distribuírem-se
as tarefas, o grupo deverá fixar prazos para a realização de cada uma delas.
Nem todas as tarefas requerem o mesmo tempo e os membros do grupo devem ter
isso em conta ao assumirem a responsabilidade por elas.
Planificar
o tempo tem grande importância para que não ocorram atrasos, para que as
pessoas não se sobrecarreguem de tarefas que depois não poderão ser cumpridas e
para que se possa ter um certo ordenamento das tarefas.
O que necessitamos para realizar a atividade?
Qualquer
atividade que se faça, demanda certos recursos. Às vezes serão necessários
somente recursos humanos, ou sela, pessoas dispostas a trabalhar. Mas quando se
trata de atividades de maior envergadura, serão necessários também recursos
materiais e inclusive dinheiro.
Os
recursos são fundamentais em qualquer planejamento porque definem o que é e o
que não é possível realizar. Muitas vezes ocorre o fato de que por não se
pensar na questão dos recursos, a realização de uma atividade fica comprometida
no meio do caminho, produzindo frustração no grupo.
Um
aspecto muito importante é ver como conseguir os recursos. Nem sempre
há a necessidade de buscá-los fora do grupo. Também é possível
encontrá-los dentro do próprio grupo ou criá-los de forma coletiva. Por
exemplo, é bastante freqüente que as organizações façam rifas para obter
algum recurso.
b) A avaliação
Avaliar
significa rever a prática da organização e verificar seus avanços com relação
aos objetivos formulados.
A
avaliação poderá realizar-se, desde que a atividade ou o plano de trabalho
já tenham sido executados. Isto será útil porque nos permitirá analisar
até que ponto foram cumpridas as dificuldades encontradas e quais foram os
acertos e erros. Neste tipo de avaliação será conveniente que participem todas
aquelas pessoas que levaram adiante a atividade, incluindo outras pessoas que
de alguma forma tenham se beneficiado com tal iniciativa.
Mas
não devemos avaliar as atividades somente quando já se realizaram:
também é necessário avaliá-las ao longo de suas execuções para que se
possa introduzir mudanças e corrigir, em tempo, os erros que vão sendo
cometidos.
Ao
avaliar uma atividade ou um plano de trabalho é conveniente fazer-se
algumas perguntas que possam guiar o processo de avaliação:
Ø Que
dificuldades (pessoais, do grupo ou da população) se encontraram para alcançar
os objetivos?
Ø Que aspectos
contribuíram para que fossem atingidos os objetivos?
·
Foram cumpridos outros objetivos?
Ø As
atividades tiveram outros resultados positivos ou negativos não
esperados?
Ø O
grupo todo participou da execução das tarefas? Os responsáveis cumpriram com
suas tarefas? Foram cumpridos os prazos estabelecidos?
·
Como se utilizaram os recursos?
Ø Faltaram
recursos? Se esbanjaram recursos? Se buscaram os recursos próprios do
grupo?
Ø Valeu
a pena realizar a atividade?
Na
organização, não é suficiente avaliar somente as atividades. Podem
ocorrer problemas de funcionamento ou de relacionamento pessoal no grupo, que
se não são enfrentados no momento adequado, podem converter-se em conflitos difíceis
de serem resolvidos. Por isso, a avaliação permanente da organização é uma
tarefa necessária, sendo que cabe ao dirigente tornar-se seu principal
estimulador. A avaliação, assim entendida, pode converter-se em uma importância
ferramenta para a eficiência e em um espaço de participação para todos os
membros do grupo.
Existem
distintas formas de avaliar em uma organização:
·
Pode fazer-se individualmente, preenchendo
uma pauta de perguntas.
Outra
forma de avaliar, que pode ser de grande utilidade nas organizações, é a
auto-avaliação, isto quer dizer que cada membro do grupo avalia a si mesmo com
relação à sua participação nas tarefas da organização. A auto-avaliação
supõe ter uma grande capacidade autocrítica, saber reconhecer suas contribuições
e erros. Isto não é nada fácil, pois exige que opinemos sobre nós mesmos.
Por
exemplo, é muito comum encontrar-se atitudes defensivas, em que as pessoas
são incapazes de reconhecer seus erros, e acham que tudo que fazem está muito
bem. Mas também, por vezes, ocorre a atitude contrária, que acentua todos os
aspectos negativos, culpando-se por eles, sem reconhecer as contribuições
positivas que foram dadas ao grupo.
É
preciso entender a auto-avaliação como um dos componentes da avaliação, que
traz informação específica sobre os participantes do grupo: o que aprenderam,
que obstáculos encontraram e em que falharam. Esta informação, de caráter mais
pessoal, é muito importante para avaliar os resultados da atividade.;
Em
resumo, o dirigente tem grande importância para que a organização funcione de
maneira eficiente. Seu papel será de ir propondo atividades e formas de
organizar-se que permitam ao grupo cumprir suas metas. Pra isso, é necessário
planejar e avaliar aquilo que se faz. Planejar é pensar antes o que se vai fazer
em seguida. O
planejamento pode realizar-se respondendo a certas perguntas: qual é o problema
que se quer enfrentar? O que se quer alcançar? Como se vai realizar? O que é
necessário para fazê-lo?
Avaliar
significa rever as atividades que a organização realiza e analisar se foram
cumpridos os objetivos inicialmente propostos, se se alcançaram outros
objetivos que não haviam sido previstos e quais foram as dificuldades, os
acertos e os erros.
Tomado
de:
PIIE: programa interdisciplinario de investigaciones em
educacion
CIDE: centro de investigacion y desarrollo de la
educacion
(algumas partes do documento foram modificadas levemente,
para adaptá-las a nossa situação) – Equipe alforja
CONCEPÇÃO, TENDÊNCIAS E CORRENTES DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
CONCEPÇÃO,
TENDÊNCIAS E CORRENTES DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
No livro Escola e Democracia, Demerval
Saviani, analisa e propõe o estudo das teorias da educação em sua relação ao
problema que enfoca, devido a alta percentagem de alunos que desertam do ensino
de 1º grau em condições de semi-analfabetismo ou de analfabetismo potencial na
América Latina: 50%.
Considera
os participantes de dois grandes grupos:
A
– as teorias não-críticas:
1 – pedagogia
tradicional
2 – pedagogia nova
3 – pedagogia tecnicista.
B
– as teorias “crítico-reprodutivistas”:
1-
teoria
do ensino enquanto violência simbólica.
2-
teoria
da escola enquanto aparelho ideológico de Estado ( A . I. E.)
3-
teoria
da escola dualista.
E – propõe uma teoria
da educação.
C
– a teoria crítica-social dos conteúdos: pedagogia revolucionária.
O autor faz a seguir uma análise da
situação da educação desde a época da sociedade sem escolas, passando pelas
escolas, tradicional nova tecnicista, em suas relações com o sistema
sócio-econômico vigente numa sociedade capitalista. Detalha a teoria “crítica
social dos conteúdos”, chegando a explicitar A contribuição do professor, analisando
a “Teoria da Curvatura da Vara” e “Para Além da Teoria da Curvatura da Vara”.
Na parte final propõe onze teses sobre
educação e política, delimitando claramente as relações entre estas (educação e
política), como se segue:
1º
grupo: Teorias não Críticas:
Visão da educação como instrumento de
equalização social, portanto, de superação da marginalidade. A sociedade é
concebida como essencialmente harmônica, tendendo a integração de seus membros.
Marginalidade: distorção acidental que deve ser corrigida através da educação,
tendo esta, portanto, ampla margem de autonomia
em face da sociedade.
2º
grupo: Teorias Crítico-Reprodutivista:
Visão da educação como instrumento de
discriminação social logo fator de marginalização. Visão da sociedade dividida
em classes antagônicas, e da marginalidade como fenômeno inerente a própria
estrutura da sociedade. Educação: inteiramente dependente da estrutura social,
geradora da marginalidade, com função de reforçar e legitimar a marginalização.
Teorias
não Críticas: (Representantes)
Pedagogia Tradicional: Inspirada no
ideário da Revolução Francesa “Educação como direito de todos”, com objetivo de
consolidar a democracia, transformar súditos em cidadãos, como antídoto a
ignorância. Escola centrada no professor, necessitando professor eficiente,
visando a transmissão de conhecimentos.
Resultados: não foi bem
sucedida; não conseguiu universalizar o conhecimento e nem todos os bem
sucedidos conseguiram se ajustar na sociedade.
Pedagogia Nova: “escolanovismo”:
educação como corretora da marginalização; ajusta e adapta os indivíduos à
sociedade. Sob inspiração biológica e psicológica, propunha ser fundamental “aprender
a aprender”.
Houve
deslocamento dos “eixos” do processo educativo:
·
do
intelecto para o sentimento.
·
do
lógico para o psicólogo.
·
do
conteúdo para o método.
·
do
esforço para o interesse.
· Da disciplina para a espontaneidade.
· Da quantidade para a qualidade.
Professor: estimulador do processo.
Conseqüências: Afrouxamento da disciplina X rebaixamento do ensino para as camadas populares; aprimoramento da qualidade do ensino destinado as elites.
·
agravo
o problema da marginalidade.
· Difundi o técnico-pedagógico como fundamental.
· Reforça a idéia: é melhor uma escola para poucos que uma escola diferente para muitos.
Pedagogia tecnicista:
Tomou como modelo a relação
empresarial: organização, divisão do trabalho, mecanização do processo e
operacionalização de objetivos.
Introduziu as técnicas e os
instrumentais técnicos, dando primazia ao processo. É o processo que define o
que os professores e alunos farão, como e quando.
Marginal: é o incompetente, ineficiente e
improdutivo.
A questão é aprender a fazer, sendo
o controle feito através de formulários a serem preenchidos.
Conseqüências: conteúdos rarefeitos e
irrelevante ampliação de vaga em face aos índices de evasão e repetência.
Essas teorias são denominadas “não-críticas”
porque desconhecem as determinantes sociais do fenômeno educativo.
Teorias Crítico-Reprodutivista: postulam não ser possível
compreender a educação senão a partir de seus condicionamentos sociais.
Explicam o fracasso de todas as propostas anteriormente citadas porque o papel
da escola era (é) reproduzir a sociedade de classes e reforçar o modo de
produção capitalista (bourdieu e passeron).
São elas:
a)
Teoria
do sistema de ensino enquanto violência simbólica:
Marginalizados: são os grupos, as classes dominadas,
socialmente, porque não possuem força simbólica.
A função da educação é a de reprodução
das classes sociais; pela reprodução cultural ela contribui para a reprodução
social.
Através da reprodução são dissimuladas
as relações de força existentes (ocorrem também através de jornais, igreja, moda,
propaganda, educação familiar, etc.)
b) Teoria da Escola enquanto Aparelho
Ideológico do Estado (A . I.E.)
O A .I. E. escolar contribui um
mecanismo construído pela burguesia para garantir e perpetuar seus interesses.
Segundo Althusser existe a luta de classes mesmo no A .I. E. escolar, embora
seja praticamente diluída. A escola se constitui no instrumento mais “acabado”
de reprodução das relações de produção tipo capitalista.
Marginalizado: classe trabalhadora.
c) Teoria da Escola dualista: Proposta por Baudelot e Establete,
diz que: “a escola, em pese a aparência humanitária e unificadora, é dividida
em duas grandes redes, as quais correspondem a divisão da sociedade capitalista
com suas duas classes fundamentais: burguesia (rede de escolarização Secundária
Superior: P.P.).
Escola: reforça e legitima a marginalização,
impedindo o desenvolvimento da ideologia do proletariado (pois contribui para a
formação da força de trabalho e vinculação da ideologia burguesa) e da luta
revolucionária; sendo assim, age duplamente como fator de marginalização.
Conseqüências e teorias: colocaram em evidência o
comprometimento da educação com os interesses dominantes e disseminaram entre
os educadores desânimo e educação com os interesses dominantes e disseminaram
entre os educadores desânimo e pessimismo.
Para uma teoria crítica da educação:
A escola como instrumento capaz de
contribuir para o problema de marginalização deverá ser formulada do ponto de
vista dos interesses do dominado. Precisará superar tanto o poder ilusório (
próprio das teorias não críticas ) quanto a impotência ( própria das teorias
críítico-reprodutivista). Colocará nas mãos dos educadores uma arma de luta
capaz de permitir o exercício de poder real, ainda que limpado.
O papel da teoria crítica é dar substância
concreta a essa Bandeira de luta de modo a evitar que ela seja apropriada e
articulada com os interesses das classes dominantes.
É preciso avançar no sentido de captar
a natureza específica da educação, o que nos levará a compreensão da complexa
mediação pela qual se dá sua inserção contraditória na sociedade capitalista.
Praticamente, é preciso retomar
vigorosamente a luta contra a selatividade, discriminação e o rebaixamento do
ensino para as camadas populares. Engajar-se no esforço para garantir aos
trabalhadores um ensino da melhor qualidade possível nas condições históricas
atuais.
Texto 2: A TEORIA DA CURVATURA DA VARA
Abordagem política do funcionamento
interno da escola de 1º grau
Que funções políticas o ensino de 1º
grau desempenha?
1ª Tese: filosófica-histórica:
“Do caráter revolucionário da
pedagogia da essência e do caráter reacionário da pedagogia da existência”.
“Todos os homens são essencialmente
iguais, com os mesmos direitos”.
A escolarização era condição para
converter os servos em cidadãos, para que todos participassem do projeto
político para consolidação da democracia ( interesse da burguesia ). Após
ascender ao poder, já não interessa mais a burguesia transformar a sociedade: a
escola tradicional, a “pedagogia da existência”: os homens são essencialmente
diferentes e temos que respeitar a diferença entre eles. Aí está o caráter
reacionário da pedagogia da existência legitimando as desigualdades,
privilégios e sujeição.
2ª Tese: Pedagógico-metodológica:
Do caráter científico do método
tradicional e do caráter pseudo-científico dos métodos novos.
Considera-se como científico o caráter
do método tradicional, pois os cincos passos formais de Herbert ( preparação,
assimilação, comparação e generalização) se baseavam no esquema do método
científico indutivo de Bacon.
Os métodos novos ideologizaram a
pesquisa, pois pesquisado que já se sabe e se conhece não existe: caráter
pseudo-científico.
3ª Tese: Especificamente Política:
De quando mais se falou em democracia
no interior da escola, menos democrática foi a escola; e de como, quando se
falou, em democracia mais a escola esteve articulada com a construção de uma
ordem democrática.
Na escola tradicional havia a
articulação com a construção de uma ordem democrática, pois a escola era igual
para todos. Na escola nova falava-se basicamente em democracia, mas a
desigualdade existia na escola dualista.
A escola nova: Hegemonia da classe
dominante.
Anos 30: fundação da associação
Brasileira de Educação (ABE);
32 manifesto dos pioneiros e 1ª
conferência Nacional de Educação.
34 nova constituição.
As primeiras décadas deste século
foram ricas em movimentos populares, reivindicações maior participação na
sociedade e também reivindicações do ponto de vista escolar.
Com o escolanovismo: da preocupação em
articular a escola com os movimentos populares, passou-se para o plano
técnico-pedagógico, portanto, interno da escola.
Do entusiasmo pela educação, passou-se
para o otimismo pedagógico. Com a Escola nova ocorreu o rebaixamento do ensino
para as classes populares e aprimoramento do ensino para as elites.
Os movimentos sociais que conclamavam
o povo a se organizar e reivindicavam escola para todos perderem sua voz. Todos
os progressistas em educação tenderem em endossar o credo escolanovista.
Anos 70: em 71: Lei 5.692
Princípios da flexibilidade e
terminalidade aligeiramento tão grande que chega até desfazer em meras
formalidades.
Curvatura da vara: priorizar o
conteúdo: defender o aprimoramento do ensino destinado as camadas populares
como única forma de lutar contra a farsa do ensino, porque o domínio da cultura
constitui instrumento indispensável para a participação política das mesmas.
O dominado não liberta se ele não vir
a dominar aquilo que os dominantes dominam.
Reformar a escola a partir de seu
interior: preocupação constante com o conteúdo e fórmulas disciplinares (
esforço, disciplina e trabalho).
O ponto correto da vara está
justamente na valorização dos conteúdos que apontam para uma pedagogia
revolucionária.
Texto 3: PARA ALÉM DA CURVATURA DA
VARA
“Creio Ter conseguido fazer
curvar a vara para outro lado. A minha
expectativa é justamente que, com essa inflexão, a vara atinja o seu ponto
correto; vejam bem, correto este que não está também na pedagogia tradicional,
mas está justamente na valorização dos conteúdos que apontam para a pedagogia
revolucionária”.
Papel do educador: fazer curvar a
vara: no embate ideológico não basta enunciar a concepção correta para que os
desvios sejam corrigidos: é necessário abalar as certezas, de autorizar o senso
comum, demonstrando a falsidade daquilo que é tido como verdadeiro.
Proposta: pedagogia
revolucionária: situa-se para além das pedagogias da essência; e
da existência; supera-se, incorporando suas críticas recíprocas numa proposta
radicalmente nova.
É crítica, e assim, sabe-se
condicionada, ainda que elemento determinado, não deixa de influenciar o
determinante, ainda que secundário, não deixa de ser importante e por vezes
decisivo no processo de transformação da sociedade.
Centra-se na igualdade essencial entre
os homens, em termos reais e não apenas formais: transformação dos conteúdos
formais, fixos abstratos em conteúdos reais, dinâmicos e completos;
considera-se difusão de conteúdos sérios e atualizados – uma das tarefas
primordiais do processo educativo em geral e da escola em particular.
Uma pedagogia articulada com os
interesses das classes populares valorizará a escola; estará empenhada em que ela funcione bem, em métodos de ensino
eficazes; métodos que estimularão a atividade e iniciativa do aluno, sem abrir
mão da iniciativa do professor... favorecerão o diálogo... os interesses dos
alunos, critérios de aprendizagem e desenvolvimento psicológico, sem perder de
vista a sistematização lógica dos conhecimentos, sua ordenação e graduação:
tomando alunos e professores como agentes sociais.
Educação: “atividade mediadora no seio
da prática social global”.
Passos:
1º - Prática social: ponto de partida: professores e
alunos encontrar-se em diferentes níveis de compreensão da prática social.
Professor possui síntese-precária (precária:
precisará antecipar o que fazer com os alunos cujos os níveis de compreensão
ele não pode conhecer, no ponto de partida, senão de forma precária).
2º - Problematização: identificação dos principais
problemas postos pela prática social: que conhecimentos preciso dominar.
3º - Instrumentalização: apropriação dos instrumentos
teóricos e práticos necessários ao equacionamento dos problemas detectados na
prática social. Esta apropriação pelos alunos depende da transmissão dos
conhecimentos, direta ou indiretamente feita pelo professor.
4º - Catarse: efetivamente incorporação dos
instrumentos culturais transformada agora em elementos ativos de transformação
social.
5º - Ponto de Chegada: prática social: reduz-se a
precariedade da síntese do professor, cuja compreensão se torna mais orgânica.
A compreensão da prática social passa
por uma alteração de qualidade.
A proposta da pedagogia
revolucionária: deriva de um conceito articula educação e sociedade; é
necessário, através de prática social, transformar as relações de produção que impedem a construção de uma
sociedade igualitária. É pedagogia empenhada decididamente em colocar a serviço
da referida transformação das relações de produção.
Se a educação é mediação, isto
significa que ela não se justifica por si mesmo, mas tem sua razão de ser nos
efeitos que se prolongam para além dela e que persistem mesmo após a cessação
da ação pedagógica.
O processo é sempre um tipo de
passagem (não é muito) de um ponto a outro, uma certa transformação. Enfim, a
própria catarse: elaboração e transformação da estrutura em super estrutura na
consciência dos homens: processo de passagem da desigualdade para a igualdade.
Se não acredito que a desigualdade
pode ser convertida em igualdade pela mediação da educação, não vale a pena
desencadear a ação pedagógica.
Professor: capacidade de antecipar os
resultados da ação. Uma relação considerada supostamente autoritária quando
vista pelo ângulo do ponto de partida,
pode ser, ao contrário, democrática, se analisada do ponto de vista de chegada,
ou seja, pelos efeitos que acarreta na prática social global.
A contribuição do Professor:
Através da instrumentalização, isto é,
nas ferramentas de caráter político, histórico, matemático e literário, etc.,
quer seja capaz de colocar de posse do aluno; serão tanto mais eficaz quanto
mais o professor seja capaz de compreender os vínculos de sua prática social e
global. Ocorrerá quando a catarse alterar a prática, qualitativamente, de seus
alunos, enquanto agentes sociais.
Onze teses sobre Educação e Política
Educação é um ato político, porém não
se deve identificar educação com política, prática pedagógica com prática
política, em conseqüência, a especialidade de fenômeno educativo.
Educação e política, embora
inesperáveis, não são idênticas: trata-se
de práticas distintas, cada uma com especialidade própria.
A educação configura-se uma relação
entre não antagônicos; o educador está a
serviço dos interesses dos educadores.
A relação política o objetivo é vencer
e não convencer: trata-se ainda de uma relação antagônica, onde interesses e
perspectivas são mutualmente excludentes.
“ A prática política se apóia na
verdade do poder; a prática educativa, no poder da verdade”.
“A importância política da educação
reside na função de socialização do conhecimento; assim, realizando a função
que lhe é própria que a educação cumpre
sua função política”.
As reflexões anteriores podem ser
ordenadas e sintetizadas através das teses seguintes:
“Tese 1 – Não existe identidade
entre educação e política.
Corolário “educação e política são
fenômenos inseparáveis, porém efetivamente distintos entre si”.
“Tese 2 – Toda prática
educativa contém inevitavelmente uma dimensão educativa”.
OBS.: As teses 2 e 3 decorrem
necessariamente de inseparabilidade entre educação e política, firmada no
corolário da tese 1.
“Tese 4 – A explicitação da
dimensão política educativa da prática educativa está condicionada a
explicitação da especificidade da prática educativa”.
“Tese 5 – A explicitação da
dimensão educativa da prática política está, por sua vez, condicionada a
explicitação da especificidade da prática política”.
(... só se possível captar a dimensão
política da prática educativa e vice-versa, na medida em que essas práticas
forem captadas como efetivamente distintas uma da outra – tese 4 e 5).
“Tese 6 – A especificidade da
prática educativa se define pelo caráter de uma relação que se trava entre
contrários não-antagônicos”.
“Tese 7 – A especificidade da
prática política se define pelo caráter de uma relação que se trava entre
contrários antagônicos”.
“Tese 8 – As relações entre
educação e política se dão na forma de autonomia relativa e dependência
recíproca”.
“Tese 10 – Superada a sociedade
de classes cessa o primado da política, o que determina a subordinação real da
educação e prática política”.
“Tese 11 – A função política da
educação se cumpre na medida em que ela se realiza enquanto prática
especificamente pedagógica”.
Dizer que a educação é sempre um ato
político... não significará senão sublinhar que a educação possui sempre
dimensão política, independentemente de se Ter ou não consciência disto (tese
2) ... Eu só posso afirmar que a educação é um ato político na medida em que eu
capto determinada prática como sendo primordialmente
educativa e secundariamente política”.
Lembrando que tendências pedagógicas
existentes nem sempre são mutualmente, nem aparecem em sua forma pura, Líbano
apresenta o seguinte esquema classificatório para as referidas tendências:
Em relação aos condicionamentos
sócio-político da escola encontramos:
A
– Pedagogia Liberal
1- tradicional
2- renovada progressista
3- renovada não diretiva
4- tecnicista
1- libertadora
2- libertária
3- crítico-socialista dos conteúdos.
Conceito 1 – Pedagogia Liberal: “baseada nos princípios da revolução
francesa: liberalismo”.
“A escola tem por função preparar os
indivíduos para o desempenho dos papéis sociais, conforme aptidões individuais,
... através de adaptação aos
REFERÊNCIAS
LIBÂNEO, J. C. Democratização da escola pública. A Pedagogia critico social dos conteúdos.
SAVIANI, D. Pedagogia Histórico crítica.
MELLO, G.N. Tecnicismo...
LIBÂNEO, J. C. Democratização da escola pública. A Pedagogia critico social dos conteúdos.
SAVIANI, D. Pedagogia Histórico crítica.
MELLO, G.N. Tecnicismo...
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