Quem sou eu

- Blog Sindical
- Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social é que determina a sua consciência.” *Kal Marx “os comunistas nunca devem perder de vista a unidade da organização sindical. (Isto porque) a única fonte de força dos escravos assalariados de nossa civilização, oprimidos, subjugados e abatidos pelo trabalho, é a sua união, sua organização e solidariedade” *Lenin
segunda-feira, 27 de julho de 2020
Na pandemia, bilionários aumentam fortuna e pobres pagam a conta.
sexta-feira, 24 de julho de 2020
O centenário de Florestan Fernandes, um teórico a serviço da classe trabalhadora.
O sociólogo que levou sua origem de classe para os livros viu a revolução como essencial para transformação do Brasil.
Quando Florestan Fernandes terminou o curso de Ciências
Sociais, em 1944, não saía da Universidade de São Paulo (USP), um sociólogo
formado somente pelos livros. A sociologia, na verdade, chegou para Florestan
primeiro por meio do trabalho, e somente depois pela reflexão. Esta é uma
formulação do próprio sociólogo que permeia toda a complexidade e totalidade de
seu pensamento.
Permissão, a mesma, que não lhe foi
solicitada para ter o nome trocado pelos donos da casa. Florestan, o nome de um
personagem da ópera Fidelio, de Ludwig van Beethoven, não era cabível para o
filho de uma empregada doméstica. Chamavam-no, então, de Vicente, que
consideravam mais apropriado. “Também o nome ele não podia ter”, conta
Florestan Fernandes Júnior, filho do sociólogo e jornalista.
O ponto final da experiência na casa Bresser
– que anos mais tarde ele considerou essencial do ponto de vista sociológico –
se deu quando os patrões pediram a Maria Fernandes que entregasse Florestan a
eles. A portuguesa respondeu “só cachorro que se dá”, pegou suas coisas e foi
morar em cortiços.
A maior luta dele durante a vida foi não se
afastar de suas origens.
Diante da situação, Florestan, aos seis anos de idade, começou a trabalhar como
engraxate, para ajudar na sobrevivência da pequena família. “Assim foi vida
deles, vivendo com condições precárias. Todo o aprendizado dele vem desse
período e ele nunca se afastou. Ele falou até que a maior luta dele durante a
vida foi não se afastar de suas origens”, relata o filho. Somente aos 17 anos,
depois de passar por diversos empregos, Florestan retomou os estudos, fez um
curso de madureza para concluir o que hoje se conhece por Ensino Médio e
ingressou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP
(FFLCH-USP).
Para Miguel Yoshida, editor da Expressão
Popular, compreender a origem de classe de Florestan é “fundamental” para
compreender todo o seu desenvolvimento teórico. “Por mais que por durante boa
parte da vida ele estivesse ligado à universidade com ocupações acadêmicas, ele
nunca perdeu essa perspectiva de olhar para o mundo e para a condição dos ‘de
baixo’, nunca esteve fora da perspectiva dele”. Prova disso, diz Yoshida, são
os temas sobre os quais ele teorizou: a questão racial e de classe,
majoritariamente.
Burguesia dependente e a prática revolucionária
A partir desse olhar, Florestan Fernandes
constrói uma conexão entre pensamento e prática que permanece por todo o seu
trabalho como uma tarefa política. O objetivo: fornecer as ferramentas
necessárias para a classe trabalhadora conseguir transformar a própria
realidade.
“A preocupação central dele nos últimos 20
anos de vida é de conseguir construir uma compreensão do País que possibilite a
transformação dele. Então, a teoria do Florestan nos últimos 20 anos se dedica
a isso, a essa construção dessa teoria da revolução brasileira”, explica
Yoshida.
O primeiro passo para a construção dessa
prática revolucionária foi entender a origem das classes sociais no Brasil.
Para estudar o comportamento das classes dominantes, Florestan estudo os anos
da escravidão e demonstrou como a transição da Colônia até a República,
incluindo a abolição da escravatura, ocorreu sem rupturas institucionais de
fato. O sociólogo identifica a manutenção do padrão de dominação de classe, com
o cultivo de heranças escravocratas refletidas nas dinâmicas sociais do país.
Não tem uma possibilidade nacional de desenvolvimento
autônomo.
Diferente de outras ao redor do mundo, segundo a leitura de Florestan, a
burguesia brasileira não precisou realizar uma revolução para concretizar o
modo de produção capitalista. Aqui, o capitalismo e as dinâmicas imperialistas
e de escravização se entrelaçaram para fazer surgir o que ele chama de
"capitalismo dependente".
Tal dependência faz com que a burguesia
brasileira precise realizar concessões ao capitalismo central para conseguir
manter qualquer tipo de relação, uma vez que não está “no mesmo pé de
igualdade”. Hoje, isso se observa na desindustrialização do Brasil e na
condição de exportador de commodities.
Apoiado nesta ideia, Florestan defendia que
“o desenvolvimento aqui não tem uma possibilidade nacional de desenvolvimento
autônomo, não tem um desenvolvimento autônomo, ele vai estar sempre atrelado às
demandas desse capitalismo central”, explica Yoshida.
Nesse sentido, a proposta política da
burguesia nunca abarcará as transformações necessárias para o desenvolvimento
social do País, como as reformas agrária e educacional. Ao contrário, na mesma
medida em que é submissa ao capitalismo central, submete as classes
trabalhadoras com violência, nos mesmos moldes escravocratas.
A construção de um país pautada em reformas
agrária e educacional, coloca Florestan, é tarefa, portanto, dos trabalhadores.
E é aqui que entra a prática revolucionária e a educação como um dos pontos de
partida para tal movimento.
Educação para a auto emancipação dos trabalhadores
Durante toda a vida, Florestan se preocupou
intensamente com o tema da educação e defendeu um ensino gratuito, laico e de
qualidade – não somente uma formação técnica, mas uma ferramenta de
transformação social. Com acesso ao conhecimento acumulado pela humanidade e à
prática militante, é possível alcançar a prática revolucionária e mudar as
bases sobre as quais as classes dominantes se ergueram, defendia Florestan.
Ele valorizava demais esse lado do conhecimento,
do letramento, do direito à educação.
Nesse sentido, já na última década de sua vida, enquanto foi deputado
(1987-1995) pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Florestan ajudou a criar as
bases do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de
Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) bem como os princípios
constitucionais da educação brasileira, na Assembleia Constituinte.
Segundo o deputado federal Ivan Valente
(PSOL-SP), que trabalhou o tema da educação ao lado de Florestan Fernandes na
Assembleia Constituinte, o sociólogo foi responsável pela elaboração do
capítulo da Constituição que trata da autonomia das universidades e das
garantias de uma educação de qualidade.
“Ele virou a grande referência de todos os
movimentos sociais e educacionais, no Congresso Nacional. Ele foi grande a
referência para a construção de uma visão constitucional da educação como dever
do Estado e direito do cidadão”, afirma Valente.
“Claro que Florestan é um socialista
marxista, alguém que tinha conhecimento de que o pior analfabeto é o analfabeto
político. Então, ele valorizava demais esse lado do conhecimento, do
letramento, do direito à educação e do que significa conseguir universalizar a
educação básica e ao mesmo tempo garantir a qualidade da educação com
financiamento público de qualidade”, a fim de mitigar as desigualdades sociais.
Para Valente, falar de Florestan Fernandes hoje, “é se contrapor a essa imensa
mediocridade que nós estamos vivendo com a era Bolsonaro”.
“Debaixo do meu guarda-chuva cabem todos os
radicais”
Amigo próximo do sociólogo, o jornalista
Vladimir Sacchetta relembra uma frase que sintetiza significativamente quem foi
Florestan Fernandes e como ele vivia de acordo com o seu objetivo de
transformar o País: “Florestan era o Florestan, ele era uma bandeira em si”.
O papel do intelectual era ser contestador e
enfrentar as dificuldades e empregar as suas ferramentas teóricas sem nunca
abandonar do horizonte a possibilidade de ter uma transformação social.
Durante a sua campanha para deputado constituinte, da qual Sacchetta fez parte,
o lema era “Contra as ideias da força e a força das ideias”, o que sintetiza
bem uma campanha que agregou pessoas de diversas origens e espectros
ideológicos.
“Volta e meia aconteciam tensões no PT, e
Florestan vinha daquele jeito doce, gentil, educado, um homem sisudo,
aparentemente, com aquela sobrancelha que vinha por cima do óculos, mas um ser
humano muito doce, e dizia o seguinte: ‘Opa, espera aí, debaixo do meu
guarda-chuva cabem todos os radicais’”, conta Sacchetta.
O engajamento para a transformação social
nunca deixou que Florestan saísse de fato da política, mesmo dentro das
universidades, onde praticava uma sociologia crítica e militante.
“O papel do intelectual era ser contestador e
enfrentar as dificuldades e empregar as suas ferramentas teóricas sem nunca
abandonar do horizonte a possibilidade de ter uma transformação social e da
criação de um mundo mais justo, mais livre e mais feliz”, afirma Sacchetta.
Em 1969, durante a ditadura militar brasileira,
o preço pago foi a aposentadoria compulsória com a publicação do AI-5, quando
Florestan, então, decide se exilar nos Estados Unidos e no Canadá, onde foi
professor titular na Universidade de Toronto. Florestan Fernandes Júnior relata
que foi um momento de “muitas incertezas” para a família.
Em cartas escritas ao escritor e sociólogo
Antônio Candido, um de seus amigos mais próximos, Florestan dizia não aguentar
mais o exílio e que, se fosse para morrer, preferia voltar e morrer lutando. No
fim, Antônio Candido sempre o convencia a esperar mais um pouco.
Florestan volta ao Brasil, em 1972, mas só
consegue voltar a dar aulas em 1978, quando Dom Paulo Evaristo Arns, o terceiro
grão-chanceler da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o
reabilita, mesmo com a pressão dos militares para não fazê-lo.
Tempos depois, ele parte definitivamente para
a política partidária dentro do PT. “Ele aceita e diz para mim: ‘Filho, eu
esperei a vida inteira por um partido de esquerda que nunca surgiu. Eu acho que
não vou ter tempo de vida para esperar mais. Acho que esse partido não vai
chegar tão cedo. E de todos os partidos que têm no Brasil hoje eu acho que o
que está mais próximo daquilo que eu considero um partido progressista, de
esquerda é o PT, por isso eu me filiei a ele e vou concorrer’”, relembra
Florestan Fernandes Júnior.
A atualidade do pensamento de Florestan Fernandes
Outra missão assumida pelo sociólogo foi a
construção uma frente democrática entre os partidos de esquerda e de enfrentar
o autoritarismo. Ele dizia que boa parte dos progressistas acreditaram que
tinham derrotado o nazismo e fascismo quando caíram Adolf Hitler e Benito
Mussolini.
Estavam enganados, afirmava Florestan. “O
fascismo nunca morreu. Ele falava que o fascismo é o braço armado do
capitalismo. Sempre que o capitalismo se sente ameaçado, esse braço aparece. E
é isso que a gente está vendo hoje no Brasil em alguns outros lugares do
mundo”, relembra Florestan Fernandes Júnior.
Hoje, com Jair Bolsonaro (sem partido) na
Presidência da República, bem como Donald Trump nos Estados Unidos, Boris
Johnson no Reino Unido, Andrzej Duda na Polônia, entre outros conservadores e
ultraconservadores, Florestan Fernandes procuraria descobrir quais erros
levaram ao cenário atual, acredita Vladimir Sacchetta.
Esse era o perfil de atuação de Florestan
dentro do PT, relata Sacchetta, onde ele questiona se a sigla irá se
transformar um partido da ordem ou contra a ordem. “Ele discutia muito essa
institucionalização do PT”, assim como as concessões feitas em nome da
governabilidade em detrimento de ganhos para o povo, dentro do seu espectro da
extrema esquerda.
“Talvez essa questão da nossa atualidade
passasse por aí: onde a esquerda errou? Porque as reformas não foram
aprofundadas?”, argumenta o jornalista, relembrando a defesa de Florestan sobre
a formação de uma frente única de esquerda. “É justamente o que falta hoje”,
resume.
Atualmente, Florestan Fernandes também
permanece vivo na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema, São
Paulo, idealizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em
2005. “Um espaço construído pela classe trabalhadora, tijolo a tijolo, para possibilitar
a formação política de organizações populares de todo o mundo”, informa o
movimento.
Para Sacchetta, que também faz parte da
Associação dos Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes, a escola do nome
não poderia ser tido melhor. “Ele está lá. Na escola, moram as minhas utopias.
A última morada do Florestan. Basicamente, ele é o reitor da escola e figura
emblemática que inspira a luta do MST, que é o movimento social mais importante
que a gente tem, do país, da América Latina e, quem sabe, do mundo”,
conclui.
sábado, 20 de junho de 2020
O desafio de um programa transformador Raul Pont
https://democraciasocialista.org.br/o-desafio-de-um-programa-transformador-raul-pont/
quarta-feira, 8 de abril de 2020
Defender o SUS é Defender a Vida neste Dia Mundial da Saúde
Integral, pois trata a saúde como um todo com ações que, ao mesmo tempo, pensam no indivíduo sem esquecer da comunidade.
Postagem em destaque
Março das Mulheres | Conheça a verdadeira história do 8 de março
O 8 de março a LUTA das mulheres como identidade de classe e muitos sentimentos de pertencimento. Como afirma que a origem da data foi pro...

-
ANARQUISMO Diferente da concepção tradeunionista, que surge e ganha fôlego nos países mais desenvolvidos, a corrente anarquista ter...
-
SOCIAL - DEMOCRACIA A corrente conhecida hoje como social democracia surgiu no interior do movimento marxista, no final do século pass...